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 Memórias Póstumas de Griffo Greyhood

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Caio
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Personagem: Guinor
Vocação: Conde de Senja

MensagemAssunto: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Ter Set 24, 2013 3:40 pm

Parte 1


Enquanto meu corpo dança a canção da morte, minha alma está intranquila perto de objetos de minha antiga vida. Estou em uma cripta perto das Terras Fantasmagóricas, abandonada há muito por causa de suspeitas de assombração - ora, quando vim pela primeira vez, estava vazia, sem viv'alma - se é que me permitem a piada; está abandonada há mais tempo, mas agora eles até que têm razão em dizer que está assombrada. Quase matei um elfo há alguns anos - ou seriam dias? - pois gritei quando não devia, e ele desmaiou. Vi sua alma tentar escapar do corpo, mas empurrei-a de volta; bastava um espírito naquela cripta, e se fosse para aparecer um outro, que seja um amigável. Nunca matei um inocente, e não seria depois de minha morte que eu o faria.

Quero escrever minha história nessa porção de pergaminhos que encontrei ao longo dos mosteiros dos Campos da Glória. Como tinta, penso em usar o sangue de uma rena que morreu há pouco no parto. Sei que sangue não é boa tinta pois começa a descascar depois de alguns anos, mas minha intenção não é deixar para a posterioridade minha história. Quero carregar toda minha história no papel para que eu possa lembrá-la; me disseram que repetir um conto faz você não esquecê-lo, mas como não tenho nenhuma alma amiga, fico com o papel, meu caro amigo.

À medida que escrevo isso, lembranças me saltam à mente, e não sei como organizá-los. A dúvida cruel: devo começar pelo fim ou pelo começo? Se começar pelo começo, corro o risco de acabar na incoerência no final, porque minhas lembranças mais antigas são as que mais sofreram com o tempo. Por outro lado, é impossível que a história siga alguma lógica caso eu escreva à partir do fim: vivi toda minha vida seguindo o curso natural do tempo, e seria difícil para mim tentar relembrar tudo ao contrário. Que os diabos me carreguem, posso escrever tudo em uma ordem qualquer, porque são assim que as minhas memórias surgem: quando penso em meu amigo Argus, logo salto à minha infância e ao velho que me deu minha espada, mesmo se vários anos tenham se passado entre os dois.

Ironicamente, começarei a contar a minha vida a partir de minha morte. Vi Ares e Argus me enterrarem depois que caí para um esqueleto demoníaco. Não estava morto ainda; só morri depois de arranhar e gritar durante alguns minutos a sete palmos - pois tratam-se das Terras Fantasmagóricas, onde nada é morto ou vivo, mas sim um meio-termo. Algum tempo depois, meu corpo ergueu-se de sua tumba e se juntou ao exército de mortos-vivos que defendem essas terras amaldiçoadas. Eu não pude fazer nada além de assistir. Demorei algum tempo até que percebesse que eu não tinha sido levado ao paraíso, onde os padres me prometiam levar. Desesperado, busquei ajuda com uma necromante, mas ela me enganou e me pôs correntes para que eu nunca pudesse abandonar esse mundo; jurei vingança, mas sou apenas uma velha alma que apodrece nas ruínas de uma cripta, e nada mais.


Última edição por Caio em Sab Nov 09, 2013 10:25 am, editado 1 vez(es)
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Samuel
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Ter Set 24, 2013 4:16 pm

Não se pode confiar nessas necromantes, haha.
Estarei acompanhando.
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Dan
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Ter Set 24, 2013 4:20 pm

Cara... como eu me emociono ao lembrar daquele dia... e depois daquilo que aconteceu, Argus não foi mais o mesmo. Nem eu. Puxa... faz tempo... saudades do "Grivo".

Muito bom como sempre, Caio!
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Gilles
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Ter Set 24, 2013 6:40 pm

Conte em qualquer ordem.

E se um dia o sangue se desprender dos pergaminhos, restará o disco rígido do servidor desde fórum para que tudo seja guardado pelo infinito próximo.

Que sua pós-morte seja no mínimo suportável, "Grivo".
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Caio
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Qua Set 25, 2013 4:50 am

Citação :
Não se pode confiar nessas necromantes, haha.
Estarei acompanhando.
Essas necromantes, viu!
E não sei se vou postar o resto por causa da quantidade censurável de spoilers mais pro fim da história. Mais ainda dá pra postar umas partes sem causar tantos danos.

Citação :
Cara... como eu me emociono ao lembrar daquele dia... e depois daquilo que aconteceu, Argus não foi mais o mesmo. Nem eu. Puxa... faz tempo... saudades do "Grivo".

Muito bom como sempre, Caio!
Ainda me lembro daquele demon skeleton e do lag que eu tive antes de conseguir subir o buraco. Malditos lurers das Ghostlands.

Às vezes tenho vontade de criar um novo personagem do zero e deixar ele ser moldado pelo meio, e dedicar grande parte do meu tempo a ele até a sua morte inevitável. Sem dúvida o Grivo foi o personagem que mais me fez crescer, e que mais me marcou. Mas aí eu lembro que a internet da faculdade não consegue conectar no Tibia Sad

Citação :
Conte em qualquer ordem.

E se um dia o sangue se desprender dos pergaminhos, restará o disco rígido do servidor desde fórum para que tudo seja guardado pelo infinito próximo.

Que sua pós-morte seja no mínimo suportável, "Grivo".
Comecei a escrever esse texto depois que percebi que tinha perdido todas as screenshots da época do roleplay. Só sobraram as memórias que eu próprio tenho, e elas mesmo estão meio confusas - por isso vou escrever para tentar ir lembrando enquanto isso. Quero poder rever esse texto daqui a uns 5 anos, mesmo sem lembrar direito dos personagens que tive.
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Dan
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Qua Set 25, 2013 1:40 pm

Nada tirava da cabeça do Argus que foi a Luna que "invocou" aquele demon skeleton ;_;
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Caio
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Sex Set 27, 2013 1:26 pm

Parte 2


Passemos direto do momento de minha morte ao momento de meu nascimento, que ele mesmo já é confuso para mim. Ninguém deste mundo, se é que ainda me incluo nele, me contou sobre o que se segue: apenas deduzi isso de meus sonhos, que diferenciavam muito dos que os outros tinham.

Quando eu me deitava para dormir e quando o sono fechava meus olhos, eu me sentia relaxado e pronto para me levantar. Ocorre que eu não estava mais no mesmo lugar: era, sim, o mesmo quarto ou canto onde eu tinha ido dormir, mas tudo ficava mais azulado e eu me sentia externo à tudo. Talvez eu possa comparar isso à visão que uma alma tem do mundo ao redor, se é que o leitor me entende. Uma vez nesse estado, eu precisava encontrar a saída do lugar. Não era fácil: no quarto onde eu dormia, na casa da Liria, bastava abrir a porta; no dormitório de Rookgaard, eu tinha que correr pelo corredor até encontrar uma velha tapeçaria e entrar por trás dela. Assim, saindo do lugar inicial, eu iria parar em uma caverna.

Podia-se ver que aquele novo recinto era totalmente diferente do anterior. Tinha um ar mais confortável, na verdade, apesar de que era frio e ventoso. Nas primeiras vezes em que visitei a caverna, fiquei perdido pois é um longo caminho até a saída. Quando eu finalmente saía, podia ver ao longe uma vila: por isso descia sempre a montanha por meio de uma trilha e visitava aquele assentamento.

Era Briling, uma vila que já havia visto dias melhores, localizada na encruzilhada entre a Estrada Norte-Sul e a Estrada do Rei. Lá, eu visitava minha mãe - as visitas duravam poucas horas até que eu tivesse que voltar para a caverna, depois para o meu leito e assim acordar.

Por isso respondo o que propus no início: sou filho de uma pequenina com um homem. Esse homem estava morto há muito - minha mãe dizia que ele era um caçador que havia sido morto por um urso. Parece que cresci na vila de Briling até que algo ocorreu comigo, algo sobre o qual nem minha própria mãe ousa falar.


Última edição por Caio em Sab Nov 09, 2013 10:28 am, editado 1 vez(es)
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Samuel
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Sex Set 27, 2013 7:07 pm

Impressão minha ou a maioria dos personagens cresceu na casa da Liria? Devia ser uma puta duma creche hauhaohauoahuao
Enfim, bom texto Caio. Espero por mais.
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Caio
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Qua Out 02, 2013 4:17 pm

Parte 3


Passado o meu nascimento problemático e minha chegada misteriosa à Rookgaard, aquietei-me. Passei em Rookgaard toda a minha infância até que, aos doze anos, tomei o barco para Thais. Mas não pulemos diretamente de minha infância à minha adolescência: dedicarei esse capítulo à infância, mesmo que este capítulo ocupe mais do que eu gostaria.

Eu tinha como tutor Seymour, o bibliotecário que cuidava de todo o acervo de livros didáticos da Academia. É normal que as crianças da ilha tenham adultos como tutores, assim como no continente as nobres são criados por alguém inteligente em qualquer sentido. Seymour era tutor de duas crianças além de mim, mas não tive a oportunidade de fazer amizade com elas: uma delas era três anos mais nova que eu, e constantemente eu fazia troça dela; a outra tinha a minha idade, mas quando tinha 7 anos caiu do telhado da Academia (seu apelido era macaco), e dois dias depois morreu na cama. A falta de amigos pode ter me feito uma pessoa solitária, mas com isso aprendi a apreciar a solidão e sobreviver sozinho.

Desde cedo eu já vi que não serviria para usar uma espada, mas reconheci a importância que uma delas teria em hora de perigo. Ganhei uma espada simples de madeira de meu tutor, e treinava-a contra bonecos de palha ou plantas no pântano. Em meu aniversário de 7 anos, pouco depois de meu amigo ter caído do telhado, um velho, talvez um veterano de guerra, me presenteou com uma espada para matar os orcs que faziam investidas frequentes sobre a vila. Nomeei essa espada de Cartig, e ela me acompanhou até que eu fosse um adulto.

Dizer que eu era solitário em Rookgaard seria mentira. Eu tinha um grande amigo, quem eu procuro até hoje, chamado de Zaviel. Era uns 3 anos mais velho do que eu e tinha cabelos negros como piche e corpo forte. Brincávamos como duas crianças o fariam, e foi o seu desaparecimento que deu o pontapé para que eu pegasse o barco para Thais. Tivemos, sim, nossos momentos de briga, mas foram causados pela minha imaginação: por um momento, pensei que ele fosse um vampiro, pois bebia sangue. Ah, sim, eis um detalhe de Zaviel que me esqueci: bebia sangue. Trazia consigo um frasco no qual punha sangue de cavalo, e o bebia frequentemente, como se precisasse daquilo. Nunca me ofereceu e nunca tentou escondê-lo.

Zaviel foi quem me ensinou tudo sobre Sir Argos e me passou a oração que eu deveria rezar quando eu estivesse em apuros. Confesso que me esqueci dos versos da oração - talvez o motivo pelo qual estou morto - mas lembro-me que começava assim: Sir que tanto esteve, que por faca tombou. Talvez as duas partes sejam separadas por outro verso. Mas era uma prece pequena, cinco versos no máximo, que eu decorei na juventude e hoje, anos depois da morte, esqueci pois já não me vale mais. É engraçado como nos esquecemos de orações importantes em nossas vidas, mas nos lembramos de pequenos detalhes inúteis: lembro-me que Seymour tinha uma cunhada que vinha em visita para Rookgaard, mas pouco me lembro sobre Sir Argos.

Calculo que me faltem dois parágrafos para me mudar de Rookgaard para o Tibia. Aqui direi sobre minha vocação. Os alunos que vêm a Rookgaard buscam em geral uma profissão militar. Em sua maioria, saem cavaleiros e uns poucos arqueiros, mas feiticeiros eram raros. A ilha era um reservatório de história, um lugar onde as notícias e costumes da capital demoravam anos e anos para chegar. A magia era ainda proibida em Rookgaard, devido a antigas morais que a repudiavam - mesmo em Thais, mais tarde, vi que havia nas pessoas um forte preconceito contra a bruxaria, ou qualquer coisa do tipo. De qualquer modo, decidi que me tornaria um feiticeiro, apenas alimentado por histórias que se escondiam nos livros da Academia.

Zaviel sumiu da ilha por um tempo, mas como nem eu sabia onde ele morava, pensei que logo voltaria. Algumas semanas mais tarde Seymour me informou que ele tinha zarpado para Thais; não demorei para terminar logo meu treinamento e pegar também o navio para o continente. Tornei-me um mago, sim, mas um mago sem experiência, que sabia apenas magias simples de luz e de busca; para qualquer inimigo, eu usava minha espada.

E assim termina minha infância em Rookgaard. Não foi tão triste quanto pensei que seria, mas foi solitária pois Zaviel pouco aparecia na vila; quando aparecia, porém, era uma festa. Fui para Tibia em busca dele, apenas com minha espada em mãos e uma prece em mente.


Última edição por Caio em Sab Nov 09, 2013 10:30 am, editado 1 vez(es)
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Samuel
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Qua Out 02, 2013 4:36 pm

Esse clima de Rookgaard é tão gostoso e tão maldito ao mesmo tempo hasouhdaouehae. Você conseguiu passar, de maneira totalmente rpgística, uma das sensações que, pelo menos eu, só tive quando comecei de verdade com o tibia e nem sabia o que era o rpg: a sensação de ver rookgaard pela primeira vez com os olhos de quem não sabe que main existe/não importa tanto assim. É como se a experiência que você adquire lá fosse o bastante pra viver pro resto da vida haha.
E agora parece que as coisas vão tomar um rumo bem interessante... Quero ver no que isso vai dar.
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Leonardo
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Sab Nov 02, 2013 7:55 pm

Samuel, a casa da Liria era a creche e o asilo, o lugar mais movimentado de toda a historia de Fibula.. bons tempos!
A história do Grivo é incrivel! Aguardando...
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Caio
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Ficha da Personagem
Personagem: Guinor
Vocação: Conde de Senja

MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Dom Nov 03, 2013 5:04 am

Parte 4


Uma vez que eu cheguei em Thais, dei-me conta de que não havia onde morar nem o quê fazer. Primeiro de tudo, explorei a cidade, mas decepcionei-me: não era pequeno como Rookgaard, nem um pouco, mas suas ruelas eram todas cobertas de corpos humanos, seja por causa de alguma doença, seja por causa da constante guerra civil que a cidade sofre. Ao pôr-do-sol notei que teria que encontrar um lugar onde dormir, e me hospedei em uma estalagem velha de camas duras. No dia seguinte, numa conversa com quem estava na taverna, me disseram que a guilda dos feiticeiros tinha camas de aluguel em troca de serviços prestados. Por isso me dirigi até lá e trabalhei no lugar durante alguns meses, com a expectativa de aprender com eles. Pouco aprendi; as tarefas que me designavam era de limpar quartos, arrumar livros e consertar telhados, coisas que qualquer um poderia fazer e que mais emburreciam do que ensinavam. Além disso, eu não recebia nenhum dinheiro, apenas recebia uma cama e refeições diárias, cujas qualidades me surpreenderam.

Ao cabo de dois meses, percebi que não gostaria de viver daquele jeito e busquei um outro emprego. Encontrei a casa de um velho alquimista, fora das muralhas de Thais, que pagava em ouro por serviços. Logo me vi trabalhando de manhã na guilda dos feiticeiros, apenas para receber uma cama quente no final do dia, e à tarde ganhando dinheiro para os serviços a Eclésio, o velho que mencionei. Com o dinheiro, eu comprava comida para mim e ainda ficava com algum troco, que economizava para, quem sabe, comprar uma casinha no futuro (mal sabia eu que era preciso ser nobre para comprar casa, e que os preços delas eram altíssimos). Eclésio não pedia serviços repetitivos e sem sentido como os da guilda; eles me faziam pensar e me iniciavam na arte da magia e alquimia.

Eu fazia outras coisas além de trabalhar e estudar. Frequentemente eu ia à taverna do Frodo, que ficava mais ou menos no centro da cidade; tinha também a taverna de Mark, um pouco mais longe e escondida. Foi nessa época que conhecia Argus Verit, inicialmente confundindo-o com o Santo Argos, e cultivamos uma grande amizade que continuou até a minha morte. Ele me apresentou Terkil, um homem misterioso que eu só encontrava na taverna de Mark e que me ensinou a jogar damas. Ainda havia o general aposentado Lucius Cath, pretendente ao trono de Greenshore, que tentou recriar um grupo de cavaleiros antiquíssimo chamado de Langobardos. Conheci também o velho Charlie, um consertador de bancos. Eu tinha outros amigos e colegas na época, mas não deviam ser de grande importância, pois não me lembro mais deles.

Um dia Argus me convidou a conhecer a casa de Liria Dente-de-Dragão, uma mulher rica que morava em um palacete em Fibula - ela tinha três filhos pequenos que não tinham amigos. Eu havia ouvido falar dessa mulher certa vez com o velho Charlie, que havia anunciado o nascimento dos trigêmeos - por isso fui para o palacete com o receio de me deparar com três bebês que não sabiam nem ao menos andar. No entanto a visita me rendeu mais do que esperava: Liria era amável comigo, não como uma amante, mas sim como uma mãe. As visitas que eu fazia a ela eram, no início, acompanhadas de Argus, mas no fim eu acabei por ir sozinho até ela e  ter momentos agradáveis no palacete.

Alguns meses depois, Liria pediu que Argus e o velho Charlie me convidassem a morar com Liria em Fibula. No começo quis recusar, pois eu me dava bem com o trabalho com Eclésio - sobre o trabalho na guilda dos feiticeiros, pode-se dizer que eu estava pronto a abandoná-lo. Falei com Eclésio da proposta e ele disse que poderia encontrar um outro assistente que me substituísse, desde que eu continuasse a trabalhar para ele só que menos frequentemente.

Logo peguei minha trouxa e me mudei para Fibula. Lá conheci a família Dente-de-Dragão, desde os mais novos até os anciãos. Na época em que fui, só havia Liria, seus três filhos e sua mãe na casa, mas logo ela foi se povoando de tanta gente que ela acabou expulsando gente de lá, inclusive eu. Mas isso é uma longa história que não caberá nesse capítulo, assim termino aqui.


Última edição por Caio em Sab Nov 09, 2013 10:32 am, editado 1 vez(es)
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Dan
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Ficha da Personagem
Personagem: Dangineer
Vocação: Engenheiro do amor

MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Dom Nov 03, 2013 6:08 am

Cara, eu estou amando acompanhar isso! Eu realmente adoro o Griffo... sinto muitas saudades dele. Excelente, Caio!
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Bruno
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Personagem: Ares Dragontooth
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   Dom Nov 03, 2013 10:06 am

Excelente, cara. Amava a tua personagem.


Canhotaço.
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MensagemAssunto: Re: Memórias Póstumas de Griffo Greyhood   

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